Quando procurar um reumatologista?

Tempo de leitura 10 min

Você tem apresentado dores nas articulações, inchaço nas juntas, rigidez ao acordar e manchas de tons escuros no rosto? Se a resposta é sim, vale a pena observar esses sintomas. Quando persistentes, eles são capazes de apontar quando procurar um reumatologista.

A reumatologia é uma especialidade médica que cuida, sobretudo, dos tecidos conjuntivos, isto é, dos músculos, tendões, ossos e ligamentos. Esses profissionais são qualificados para fazer o diagnóstico e orientar cada paciente no tratamento e no convívio com o problema apresentado.

Para compreender mais sobre essa área de atuação médica e suas frentes, assim como conhecer detalhadamente algumas das principais doenças reumáticas, acompanhe nosso post até o final. Boa leitura!

Qual é a função do reumatologista?

Ao contrário do que manda o senso comum, dores articulares podem surgir em idades diversas. Ainda que sejam mais comuns entre mulheres e idosos, elas também acometem homens, crianças e jovens.

Mas não é só das dores crônicas nas articulações que os reumatologistas cuidam: geralmente, os pacientes dessa especialidade são portadores de condições crônicas, difíceis de se chegar a um diagnóstico, e ficam saltando de médico em médico sem nunca terem resposta para as dores que sentem sem parar.

Algumas das condições tratadas pelos reumatologistas são:

  • quadros inflamatórios no tecido conjuntivo;
  • espondiloartropatias, que são doenças inflamatórias da articulação da coluna vertebral;
  • vasculites sistêmicas, que é a inflamação da parede dos vasos e que pode provocar dores de cabeça;
  • males articulares degenerativos;
  • doenças osteometabólicas, referentes ao desequilíbrio entre deposição de minerais ósseos e sua degradação;
  • artropatias e artrites, que se manifestam com rigidez e dor nas articulações;
  • reumatismos extra-articulares, que são dores às vezes generalizadas e que parecem não seguir a correlação clínica comum.

Nesse sentido, a atuação do médico reumatologista vai ao encontro, sobretudo, da melhoria da qualidade de vida do paciente, na tentativa de reduzir as dores e corrigir problemas que sejam reversíveis.

Como identificar o bom reumatologista?

Como você já sabe, os reumatologistas atendem doenças crônicas que, muitas vezes, são de causa desconhecida — idiopáticas — ou são autoimunes. Esse é o caso, por exemplo, do Lúpus Eritematoso Sistêmico: uma doença inflamatória autoimune, na qual o próprio organismo produz anticorpos que atuam contra suas próprias estruturas em múltiplos órgãos e tecidos, como a pele, que fica com manchas escuras.

Algumas dessas doenças podem ser de difícil controle e exigem uma abordagem integrada e bastante complexa. Uma pesquisa recente já mostrou, por exemplo, que fatores emocionais e resposta ao estresse podem funcionar como um gatilho para doenças autoimunes.

Isto é, o indivíduo tem uma alteração genética patológica que passa a ser “lida” devido a um estímulo emocional. Sabe-se, também, que a presença de uma doença imune é, por si só, fator de risco para o desenvolvimento de mais doenças autoimunes.

Outra doença reumática diretamente ligada ao sistema nervoso central e às emoções é a fibromialgia. Embora sua causa não seja totalmente esclarecida, níveis de serotonina — o hormônio do bem-estar — mais baixos são detectados em pessoas com essa condição. Além disso, desequilíbrios hormonais, tensão e estresse parecem estar envolvidos em sua origem.

Esses exemplos ajudam-nos a entender por que o bom reumatologista deve considerar o paciente como um ser biopsicossocial, ou seja, deve levar em consideração a influência de suas crenças, profissão, contexto familiar, social e saúde mental em sua condição de saúde. Entender esse contexto pode dar muitas dicas acerca do quadro do paciente e de como abordá-lo.

Além disso, o bom especialista deverá desenvolver um plano de tratamento multiprofissional que dialogue com outras especialidades, a fim de “atacar” todas as frentes necessárias de uma doença reumatológica.

Nesse sentido, o apoio dos psicólogos é fundamental na resolução de questões emocionais que funcionam como gatilho para as doenças, e também no desenvolvimento de estratégias para lidar com a dor.

nutrição, por sua vez, tem mostrado caminhos interessantes de modular doenças inflamatórias por meio da alimentação, enquanto especialidades médicas, como a endocrinologia e a ortopedia, também estão sendo aliadas no tratamento de farmacológico e cirúrgico, respectivamente.

Reumatologista ou ortopedista?

Considerando-se que ambas as especialidades lidam com dores e disfunções capazes de impactar músculos e ossos, é normal que você tenha dúvida de qual médico procurar. Duas perguntas-chave, no entanto, podem ajudar a resolver esse problema:

  • a dor ou o inchaço apareceram depois de um trauma, torção ou queda? Se sim, o ideal é procurar um ortopedista;
  • os sintomas são crônicos e acompanham dor, calor, vermelhidão e rigidez do movimento? Se sim, um reumatologista é mais indicado.

Lembre-se de que o ortopedista é mais recomendado em casos de traumas e problemas mecânicos, frequentemente relacionados à prática de esportes. Sua atribuição, afinal, é solucionar complicações musculoesqueléticas. No entanto, em alguns casos, os dois profissionais podem trabalhar em conjunto na reabilitação física, uma opção relevante de tratamento multidisciplinar.

Quais são as doenças reumáticas mais comuns?

Agora que você já sabe quando procurar um reumatologista, conheça alguns dos principais males tratados por essa especialidade.

Artrite reumatoide

Considerada uma doença inflamatória crônica, nela, há um ataque do sistema imunológico do paciente contra seus próprios tecidos, especialmente os articulares, responsável por dores e comprometimento dessas estruturas. Mãos, cotovelos, punhos, pés, joelhos e coluna tendem a ser as áreas do corpo mais afetadas.

Hoje, dados apontam que cerca de dois milhões de brasileiros tenham artrite reumatoide. Embora suas causas sejam desconhecidas, sabe-se que ela é mais comum entre mulheres e pacientes acima de 40 anos, com prevalência alta entre aqueles de 50 a 70 anos.

Os sintomas, todavia, são bem notáveis, e vão de inchaço nas juntas à perda de peso, mal-estar e rigidez articular às primeiras horas da manhã, após acordar.

Artrose

A artrose é uma doença crônica bastante comum que causa dores nas articulações e decorre de uma erosão na cartilagem que protege as extremidades dos ossos. Dessa forma, os ossos passam a atritar, produzindo rangidos ao movimento.

Nessa doença, as reclamações mais comuns dos pacientes são lombalgias, além de dores dos joelhos, mãos e quadris. Podem acontecer também dormência, formigamento e formação de nódulos calcificados.

Ao tratá-la, sua progressão tende a ser amenizada, o que alivia e aumenta a capacidade de mobilidade articular.

Fibromialgia

Quem convive com fibromialgia pode ter um quadro sintomático de muito sofrimento. Não à toa, essa doença causa dores e fraquezas musculares ao longo de todo o corpo, condições pioradas diante de estresse, depressão e ansiedade.

Quadros de rigidez, perda de força, perda de sensibilidade, distúrbio do sono, alterações de memória e fadiga são bastante comuns nessa doença. Nesses pacientes, que representam entre 0,2 e 6,6% da população geral, há alterações na forma como o corpo interpreta estímulos cerebrais e de receptores da pele.

As muitas dores, apesar de difíceis, podem ser controladas com tratamento, que deve procurar associar medicamentos — antidepressivos, ansiolíticos e relaxantes musculares — à prática regular de atividades físicas moderadas e aos bons hábitos alimentares. Assim, retoma-se uma vida com bem-estar. O apoio psicológico também é fundamental nessa condição de saúde.

Osteoporose

Especialmente após o avanço da idade, alguns pacientes podem apresentar grande perda óssea, na qual essas estruturas passam a ser quebradiças e frágeis.

Nesses casos, ainda que a condição possa ser a de uma doença silenciosa, há um alto índice de quedas e fraturas, que podem deixar sequelas e dores quando a reabilitação não é completa.

osteoporose é muito mais comum em mulheres, sobretudo após a menopausa, quando há diminuição dos níveis de estrogênio. Diz-se, então, que ela se dá em circunstâncias nas quais não há renovação adequada da massa óssea, seja por baixo consumo de cálcio, de vitamina D ou outros fatores hereditários.

Gota

Também conhecida como artrite gotosa, essa doença reumática se relaciona ao aumento de ácido úrico na circulação sanguínea. Esse ácido forma cristais que se precipitam e se depositam sobre as articulações, causando dor, inchaço e vermelhidão.

A condição inflamatória pode ser acompanhada e tratada por reumatologista, e é muito comum o acometimento dos pés.

Em casos mais graves, nos quais a doença já tenha evoluído a um patamar crônico, o especialista indica também mudanças de hábitos relacionados à prática de atividades físicas e à melhoria de padrões alimentares, especialmente.

Febre reumática

A febre reumática é uma doença autoimune que se desenvolve sobretudo em crianças e adolescentes em idade escolar, após uma infecção de garganta por bactéria estreptococo beta-hemolítico do grupo A. O micro-organismo em si não é incomum, e muitas pessoas entram em contato com ele sem desenvolver maiores problemas.

Acontece que o organismo de alguns indivíduos, devido a uma predisposição genética, na hora de montar uma resposta contra a bactéria, confunde partes dela com partes do próprio corpo, iniciando um autoataque.

Sintomas como dores nas articulações, nódulos abaixo da pele, comprometimento das válvulas cardíacas e movimentos sem controle dos membros do corpo chamam a atenção, e indicam quando procurar um reumatologista.

Espondilite anquilosante

Mais comum em homens, a doença é crônica e inflamatória. Suas principais manifestações são as fortes dores nos joelhos, quadril e coluna. Não à toa, impactam diretamente as articulações do esqueleto axial, responsável pela sustentação do corpo.

Para que o paciente conviva bem com essa condição, são indicados medicamentos apropriados e sessões de fisioterapia, as quais tendem a melhorar a amplitude dos movimentos das articulações afetadas e, consequentemente, aliviar seus incômodos.

Por que é importante procurar um reumatologista?

Ninguém gosta de conviver com dores, ainda mais quando elas impactam diretamente sua qualidade de vida e bem-estar, certo?

Por isso, ao apresentar alguns dos sintomas relatados anteriormente com frequência, é importante buscar orientação e auxílio médico a fim de obter um diagnóstico. Uma ótima alternativa é encontrar o suporte de uma clínica médica particular.

Nesse tipo de serviço, de forma complementar à consulta, o médico costuma solicitar exames como fator reumatoide, ácido úrico, raios X das mãos, fator antinúcleo (FAN) e densitometria óssea, além de avaliações sanguíneas. Os exames reumatológicos, por vezes, são muito específicos e somente o reumatologista saberá indicar a análise correta.

O momento exato de quando procurar um reumatologista pode não ser muito óbvio e levar a uma jornada desgastante, passando por diversas especialidades e exames desnecessários. Agora você já tem algumas pistas que auxiliarão nessa escolha, dando fim às dores que reduzem a qualidade de vida. Vale lembrar que o acompanhamento nessa especialidade é fundamental para evitar a progressão de algumas doenças e, muitas vezes, precisa ser feito para o resto da vida. Portanto, escolha com rigor o seu médico.

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