Acne na mulher adulta: conheça os sintomas, causas e tratamentos

Tempo de leitura 10 min

O aparecimento de cravos e espinhas na adolescência é algo bastante comum e que costuma desaparecer com o tempo. No entanto, algumas pessoas sofrem com esse problema mesmo depois de passada a puberdade, principalmente as mulheres. Sintomas de acne na mulher adulta causam grande impacto na aparência e na autoestima.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, esse tipo de acne afeta, aproximadamente, 54% das mulheres brasileiras com mais de 25 anos. Por sinal, é um dos principais motivos para elas se consultarem com um dermatologista.

O fato é que, mesmo sendo algo recorrente, pode ser tratado. Neste post, apresentaremos as causas, os sintomas e as formas de tratar e prevenir a acne na mulher adulta. Continue a leitura para saber mais!

O que é a acne na mulher adulta?

A acne, de modo geral, é uma inflamação da pele em decorrência da produção excessiva de sebo. O folículo piloso fica obstruído pelo acúmulo de gordura, e a glândula sebácea cresce, podendo se romper e formar pus.

De acordo com o estímulo que é recebido pela glândula sebácea, a acne pode ser leve, moderada ou grave. Por isso, na adolescência, ela afeta até 90% das pessoas, de ambos os sexos.

No entanto, devido a diversos fatores, ela pode permanecer na fase adulta, sem contar que muitas mulheres que não sofreram com o problema na adolescência podem desenvolvê-lo depois. Nestes casos, as lesões na pele podem ser até mais graves, com a formação de nódulos grandes e endurecidos.

Quais são os sintomas de acne?

Os sintomas da acne na mulher adulta são praticamente os mesmos das pessoas que têm na puberdade. Porém, é comum que ela se manifeste de forma mais grave, sendo mais difícil de tratar. No geral, são comuns:

  • cravos e espinhas em todo o rosto, mas, principalmente, na zona T (testa, nariz e queixo) e próximo ao cabelo;
  • inflamações intensas, com formação de pus;
  • vermelhidão da pele;
  • inchaço das espinhas;
  • coceira e sensação de latejamento;
  • dor nas partes inflamadas.

Com o tempo, a acne não tratada pode gerar cicatrizes e manchas escuras que são bem difíceis de desaparecer. O mau hábito de espremer as espinhas tende a levar a esse quadro.

Por que a acne acontece?

Muitos motivos podem levar uma mulher a ter acne quando adulta. Os mais frequentes são os fatores hormonais e uma maior propensão genética. Por exemplo, nos casos em que as espinhas persistem desde a adolescência, o fator genético é o que costuma influenciar mais.

Em relação aos hormônios, eles (principalmente os andrógenos, como a testosterona) podem induzir a uma maior produção de gordura pelas glândulas sebáceas, gerando o acúmulo nos poros. Eles também podem reagir de forma anormal com a gordura produzida na pele.

Outra causa comum é a síndrome dos ovários policísticos — assim como distúrbios nas glândulas suprarrenais —, que, por sua vez, é motivada por alterações hormonais. Ela gera irregularidades no ciclo menstrual, com oscilações de hormônios que levam ao acúmulo de gordura nos poros.

Algumas doenças crônicas, como diabetes e obesidade (além de outras disfunções metabólicas), também podem provocar acne na mulher adulta. Isso, porque tais problemas de saúde causam oscilações hormonais.

Por fim, outros fatores costumam ter menor influência, como a poluição, uso de alguns cosméticos e alimentação rica em gorduras e pobre em nutrientes. Dificilmente eles motivam o surgimento da acne, mas podem agravar e dificultar o tratamento da pele afetada.

Como é possível tratar?

Felizmente, existem diversas formas de tratar a acne na mulher adulta, dependendo das causas e de cada caso. Inclusive, essas terapias podem ser combinadas para um resultado mais eficaz. Somente um dermatologista pode apontar o melhor tratamento. A seguir, confira os mais frequentes.

Medicamentos de uso tópico

O tratamento mais comum para a acne é a aplicação de medicamentos de uso tópico, ou seja, diretamente na pele. São produtos em forma de loção ou creme e à base de ácidos e alfa-hidroxiácidos. Por serem bastante agressivos, devem ser associados à utilização constante de protetor solar, bem como à adoção de outros cuidados.

Medicamentos orais

Os casos mais graves e persistentes de acne na mulher adulta podem ser tratados com medicamentos de uso oral, como a isotretinoína. Por terem efeitos colaterais perigosos, sobretudo para o fígado, só são usados com acompanhamento médico. Além disso, a pílula anticoncepcional pode ser indicada para ajudar a regular a produção de hormônios. Inclusive, nas mulheres mais velhas, costuma ser recomendada a reposição hormonal.

Procedimentos estéticos

Alguns procedimentos estéticos, como o peeling e a limpeza de pele, podem ajudar a potencializar os tratamentos por medicamentos, deixando a pele mais bonita. No entanto, devem ser feitos apenas com a indicação do dermatologista, pois, dependendo do caso, podem até aumentar a oleosidade e induzir à obstrução dos poros posteriormente.

Dermocosméticos

Os dermocosméticos são diferentes dos convencionais por conterem substâncias que tratam a pele, e não apenas a deixam mais hidratada. Em sua formulação, são encontrados ácidos, como o retinoico e o glicólico, que eliminam o excesso de oleosidade na pele, além de outros produtos anti-inflamatórios e clareadores. Também não substituem os tratamentos convencionais, mas são auxiliares.

O que fazer para prevenir?

Na maioria dos casos, o tratamento é fundamental para se combater a acne na mulher adulta. Ainda assim, podem ser adotadas algumas medidas que evitem que ela surja ou piore. Entre as principais, podemos citar:

  • não dormir de maquiagem;
  • lavar o rosto com sabonete próprio para a pele acneica e escolher produtos adequados a esse tipo de pele;
  • não usar maquiagens e cosméticos comedogênicos, ou seja, que obstruem os poros;
  • manter uma alimentação saudável, rica em antioxidantes, sais minerais, fibras e vitaminas;
  • evitar o consumo de alimentos gordurosos, carnes e laticínios em excesso;
  • parar de fumar e reduzir a ingestão de bebidas alcoólicas;
  • usar filtro solar livre de óleo;
  • não espremer ou coçar as espinhas e cravos, preferindo usar produtos secativos.

Quais são os pilares essenciais do skincare?

Conheça os cuidados que não podem faltar na sua rotina, se você sofre com a acne.

Limpeza de pele

Em casa

O primeiro passo para uma pele limpa e saudável é retirar a maquiagem diariamente com uma solução micelar. Para isso, use um pedaço de algodão e evite movimentos grosseiros, combinado?

Depois de retirar o “grosso” da make, você pode lançar mão da técnica de vaporização. O objetivo é deixar os poros bem abertos, facilitando a remoção de cravos e sujidades sem que seja necessário espremê-los. Lembre-se de que a prática de espremer agride a pele e abre uma porta de entrada perigosa para microrganismos em seu corpo.

A vaporização não é complicada: basta aproximar o rosto de uma bacia contendo água quente e cobrir a cabeça por cima com uma toalha. Fique nessa posição por alguns minutos. Se preferir, você também pode aproveitar o vapor quente do banho.

Depois, com a pele úmida, use um gel de limpeza e massageie a pele com a ponta dos dedos delicadamente, lavando com água morna. Use uma toalha de rosto macia para enxugar, fazendo movimento de compressão sobre a pele, sempre lembrando de não esfregar. Por fim, borrife água termal para tonificar, hidratar e acalmar a pele.

Limpeza profissional

Eventualmente, a cútis pede por uma limpeza mais técnica e profunda, que deve ser realizada por profissionais habilitados. Engana-se quem pensa que isso é coisa só para quem tem pele oleosa: mulheres com todos os tipos de pele, e até homens, podem se beneficiar desse serviço.

Geralmente, essa necessidade surge a cada 30 ou 40 dias, que é o tempo que a pele leva para se renovar. Em situações muito críticas, quando há excesso de cravos, pode-se realizar a limpeza uma vez a cada 15 dias até que o problema seja controlado e, depois, uma vez a cada 40, para manutenção.

Sempre que fizer uma limpeza de pele em casa ou com um profissional, não se esqueça de evitar exposição solar nos dois primeiros dias e de usar diariamente um protetor solar com fator de proteção, pelo menos, de 30. Essa prática evita o surgimento de manchas indesejadas.

Controle hormonal

Nós sabemos: nem sempre a limpeza de pele e os cuidados diários são suficientes para acabar com o problema, e a acne acaba se tornando uma angústia crônica. Isso acontece porque a origem da acne não se dá apenas por padrões de higiene, mas também por questões orgânicas.

ciência já demonstrou que a ação dos hormônios androgênicos masculinizantes, como a testosterona, sobre os folículos da pele pode potencializar os quadros de acne. Assim, o tratamento hormonal age na raiz do problema, porque permite:

  • diminuir a produção de androgênios pela glândula adrenal, que fica logo acima dos rins;
  • diminuir a produção de androgênios pelos ovários por meio do uso de corticoides, progestágenos ou anticoncepcionais orais;
  • diminuir o efeito androgênico sobre os folículos pilosos e glândulas sebáceas por meio de remédios como espironolactona, flutamida e finasterida.

Em outras palavras, como a acne é uma condição androgênio-dependente, o tratamento hormonal possibilita bloquear ou reduzir ao máximo os efeitos da testosterona sem comprometimento de outras funções e sistemas, o que não é viável nos homens.

Acompanhamento com profissional

O melhor resultado no combate aos sintomas de acne acontece quando são combinadas as medidas cosméticas e hormonais. Para que isso aconteça com maestria, é preciso consultar profissionais qualificados e, de preferência, que saibam trabalhar em conjunto.

Por estar muito ligado à estética, não raro, o combate à acne não é tratado com a seriedade que deveria. Acontece que a utilização de muitas medicações nesse processo exige extrema cautela: a isotretinoína, por exemplo, tem muitos efeitos colaterais e requer a realização de exames mensais de acompanhamento. O tratamento hormonal também é contraindicado para grávidas ou mulheres com planos de engravidar em curto prazo.

Além disso, é importante que essa abordagem seja feita de forma individualizada, já que o perfil hormonal varia muito de mulher para mulher. O bom profissional saberá, inclusive, como harmonizar efeitos desejados pela mulher em um único tratamento: a que sofre de acne e retenção de líquido, por exemplo, poderá optar por um anticoncepcional que tem efeito diurético. Assim, faz-se a contracepção e evitam-se os sintomas de acne e o inchaço ao mesmo tempo.

De qualquer forma, a acne na mulher adulta tem tratamento. Procure um dermatologista para estudar as causas e saber qual a melhor forma abordar o problema.

Se você gostou deste conteúdo, não deixe de ler nosso post sobre como se preparar para as consultas com o ginecologista. Confira!

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